Esse documento foi produzido entre os anos de 1967 e 1968, quando o então procurador Jader de Figueiredo Correia percorreu o país para apurar denúncias de crimes cometidos contra a população indígena. Supostamente desaparecido em um incêndio há mais de 40 anos, o documento foi encontrado no Museu do Índio (MI), no Rio de Janeiro.
De acordo com Marcelo Zelic, pesquisador do MI, em entrevista à Agência Brasil, o relatório foi entregue pela FUNAI em 2008. Distribuído em várias caixas e misturado com outros documentos, parecia um processo qualquer. Trata-se, na verdade, do “mais importante documento produzido pelo Estado brasileiro a respeito das violações aos direitos indígenas, como a apropriação de suas terras e de seus recursos”, nas palavras de Zelic. E acrescenta: “É um documento que pode ajudar muito a sensibilizar a sociedade para a situação que os índios ainda hoje vivem no Brasil”.
O documento foi utilizado como fonte de pesquisa pela Comissão Nacional da Verdade, criada em maio de 2012, para apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.
O grupo coordenado por Figueiredo Correia apurou denúncias como o extermínio de tribos indígenas inteiras, torturas, expulsões e diversos tipos de violência, muitas vezes praticada por servidores do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão indigenista federal que antecedeu a Funai (criada em 1967) e sobre o qual pesavam suspeitas tão graves que o ex-ministro do Interior, Albuquerque Lima, admitiu, durante depoimento no Congresso Nacional, em 1977, ser impossível manter o órgão “por culpa de algumas dezenas de servidores menos responsáveis”.
Instituto Humanistas Unisinos
O Globo
Museu do Índio - RJ